
sábado, 28 de novembro de 2009
Um pouco mais endógena...

segunda-feira, 23 de março de 2009



Cinema na Cultura Copyleft
É claro que diante do potencial da Internet e o advento da banda larga, os grandes estúdios de Hollywood já haviam pensado em inúmeras possibilidades de distribuição paga dos filmes pela rede. É possível citar os sites de download Movielink e CinemaNow, parceiros de produtoras americanas, que vendem as películas desde 2006 pela net ao mesmo tempo que são lançadas em DVD.
O fato é que a Cibercultura – a cultura contemporânea com definições de sociabilidade e navegação pela Internet – reproduz os comportamentos humanos da vida real. No dia a dia, as pessoas se sentem na vantagem quando compram algo na promoção ou quando não pagam nada por um produto. Logo, na rede com a imensa variedade de sites que disponibilizam estes lançamentos gratuitamente em boa qualidade, por que um internauta vai pagar um preço que ainda está acima, na relação custo e benefício, do poder aquisitivo da média mundial? Talvez por senso de justiça do consumidor, caso o pagamento não pese tanto no orçamento no fim do mês. De qualquer maneira, enquanto não se reavaliar os valores cobrados pelos produtos culturais, os acessos gratuitos on line a todo tipo de arte tendem a aumentar definitivamente.
Apesar de toda a polêmica relativa a imoralidade e ilegalidade dos downloads gratuitos, um aspecto deve ser evidenciado. A facilidade com que se faz download de filmes é a acessibilidade da cultura para aqueles que não tem recursos para acompanhar os lançamentos mundiais de filmes e séries. Esse fenômeno cibernético reproduz o mecanismo de produção intelectual que é o gerador de todas as grandes obras da humanidade. Para se produzir arte e cultura é preciso consumir de alguma forma conteúdos inspiradores e transformadores de mentes capazes de conceber outros conteúdos. Segundo André Lemos, doutor em Sociologia pela Sorbonne (disponível em http://www.irece.faced.ufba.br/twiki/pub/GEC/AndreLemos/copyleft.pdf), toda cultura é e sempre foi copyleft. Conceito originado no lançamento da plataforma do Sistema Operacional Linux em resposta ao Sistema Unix. Copyleft seria o oposto ao copyright dos direitos autorais com o objetivo de tornar a informação livre e acessível ao maior número de pessoas, desde que citasse a fonte original. O conceito garante ainda que qualquer obra sob sua chancela esteja livre para ser reproduzida indiscriminadamente e de graça. O autor fala ainda no mesmo artigo que a cultura copyright (de massa) é detentora do controle dos meios de comunicação, fonte de poder político, de prestígio e influência.
Considerando que o crescente acesso gratuito aos conteúdos culturais é um por vir inevitável, sai ganhando aquele que souber compartilhar o conhecimento para produzir mais. O lado positivo para aqueles que outrora se beneficiavam com os direitos autorais é a ampla divulgação que a Internet é capaz de fazer dos autores das obras. E é esse o gancho, se assim pode-se dizer, o autor será sempre único. O produto veio para agregar informação à dialética do conhecimento e abrir portas, mas um criador com versatilidade não sairá prejudicado se suas obras forem amplamente divulgadas de forma gratuita. Pelo contrário, perceberá uma vasta gama de oportunidades nesta era multimídia que está se estabelecendo. A difusão de obras pela Internet ajuda muito a distribuição de obras de autores mais jovens ou sem recursos e que de outra forma jamais seriam acessíveis ao grande público. A difusão também permite o acesso a obras raras, fora de circulação comercial. Há exemplos de filmes que não existem no Brasil em DVD, em VHS, em canais de TV a cabo nem de TV aberta.
O cinema, assim como as outras artes consagradas; teatro, arquitetura, pintura, escultura, literatura, música e dança, é um instrumento para expandir a riqueza de experiências, estabelecendo abertura de perspectiva para aqueles com pouco acesso ao mundo da informação. Diante disso, o universo de livre circulação estabelecido pelos downloads da Cibercultura só vem corroborar uma nova filosofia de desenvolvimento humano, profissional e intelectual pretendida no Século XXI.
quarta-feira, 18 de março de 2009

O ano era 1967, neste período em plena ebulição cultural no mundo, uma das bandas mais renomadas lança o disco que marcou história. Os Beatles, apesar da curta carreira – entre 1962 à 1970, conseguiram produzir material suficiente para estabelecer paradigmas na música e no comportamento até os dias de hoje. Dentre todas as revoluções estabelecidas pelo grupo, uma das imagens mais marcantes é a capa do disco Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band.
À primeira vista, a representação do álbum é uma profusão de imagens, sendo que as primeiras figuras onde os olhos param são John, Ringo, Paul e George fotografados em um cenário ao fundo feito de colagem composta por figurantes de luxo, ora em cores pintadas artesanalmente, ora em preto e branco. Dentre os mais de sessenta rostos que compõem este fundo estão figuras como Marlene Dietrich, Bob Dilan, Shirley Temple, Lewis Carroll, Albert Einstein, Bernard Shaw, Marylin Monroe, Marlon Brando, Karl Marx, Jung, as quatro esculturas de cera dos próprios Beatles, vindas do Museu Madame Tussaud, em Londres e muitos outros. É tanta gente que, na época, foram lançados vários concursos que achassem quem conseguiria identificar todos que estavam na capa. Passado esse impacto inicial da metade superior da fotografia. O observador pode então seguir para a parte inferior onde está o objeto que divide o primeiro foco com os Beatles militares; a película de tambor com a inscrição Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band, em ilustração que tende para o circense. Mais abaixo, o que indica onde se passa a fotografia, localizando a banda em uma espécie de parque com a inscrição do nome – Beatles – feita com flores, além de objetos perdidos no meio dos arbustos como outros instrumentos musicais, uma pequena televisão e figuras de pedra orientais. Para finalizar, se assim é possível, na lateral direita de quem vê, há uma palmeira com altura suficiente para se fundir com o céu azul.
Na descrição literal da foto, certamente ficaram de fora muitos elementos, já que na concepção completa, segundo Paul McCartney, “a intenção era que a capa fosse cheia de coisinhas, de maneira que alguém muito tempo depois pudesse dizer: ‘Puxa, não tinha visto isso...’”
George Martin¹ conta sobre a intenção em ter ao fundo uma platéia imaginária que estivesse no parque das flores, exatamente, para observar e ouvir a “Banda dos Coraçoes Solitários”. O interessante é que ao pedir a autorização para o uso de imagem de todas as personalidades, a grande maioria não hesitou em aceitar, mostrando como neste universo "Beatlemaniaco" não se sabe quem são os fãs e quem são os ídolos. A integração única de elementos pertencentes a diversas culturas provoca o desejo de expansão da mente, o que se torna evidente ao se ver em uma só foto personagens da cultura de massa como o “ Gordo e o Magro” e Marylin Monroe, coladas a imagens do que é considerado alta cultura como Edgar Allan Poe e Oscar Wilde. É possível ver também conexões entre a cultura ocidental como Shirley Temple e a oriental com gurus e esculturas, além de outras figuras que vinham a simbolizar a “Contracultura”, um dos movimentos mais latentes da época, como Aldous Huxley e William Burroughs, também estão representadas a psicanálise (Jung), o ocultismo (Aleister Crowley) e a sociologia (Karl Marx). Afinal, os Beatles e toda a concepção da capa estão na segunda metade dos anos 60, período em que os hippies e as revoluções estudantis tomavam as ruas. Os seres humanos tentavam esquecer as duas grandes guerras mundiais, mesmo que os EUA tivessem anseios bélicos suficientes para mandar seus jovens ao Vietnã. A necessidade de ruptura com o pré-estabelecido convergia com as experimentações psicodélicas representadas pela capa e olhares dos integrantes do Sgt. Pepper.
O simbolismo implícito na composição incide na liberdade intelectual que o conhecimento proporcionado por todas aquelas cabeças pensantes pode gerar. Entretanto, o propósito do produtor da imagem e a interpretação do receptor podem ir para caminhos totalmente diferentes. Foi o que aconteceu com a confusão gerada a partir da capa do disco. Para muitos o signo estava bem claro, um jardim florido, repleto de jacintos, palmas e azaléias como significante, gerava um funeral como significado. No caso, o morto seria Paul McCartney, tendo na imagem várias alusões a isso como um contrabaixo de canhoto feito com flores e as várias personalidades mortas. Outras pistas: a partir daquele ano os Beatles tinham decretado o fim das turnês, além da divisão que estava se instituindo no grupo. George estava cada vez mais voltado para a Índia e John estava para se voltar para Yoko.
Lendas simbólicas a parte, a conotação mais importante da capa do álbum que marcou história, certamente é a impressão de total abertura de perspectiva e vanguarda em uma fotografia que mais de 40 anos depois é lembrada como uma representação da revolução cultural que estava para surgir naquela era do Paz e Amor.
¹ MARTIN, George. Paz, amor e Sgt. Pepper. Os bastidores do disco mais importante dos Beatles. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995.
terça-feira, 17 de março de 2009
Passado o carnaval, quem mora na região sudeste do Brasil percebe que um colorido especial começa a tomar conta da Mata Atlântica. São as Quaresmeiras, às vezes, nos agraciando com tons do rosa ao lilás, em outros anos, entremeadas com tons de amarelo, por outras épocas, até mesmo nuances de vermelho. O importante é que elas vem sinalizando aquele período que vai da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa. Abrindo alas para o outono passar...
Incrível que eu, tão detalhista e perceptiva, nunca tenha prestado atenção na pobre florada, a não ser a partir de um ano em que a Quaresma me presenteou com o Amor. E o Amor me apresentou as Quaresmeiras em Flor. Assim, todo ano fico ansiosa para celebrar com as Quaresmeiras o aniversário da união entre o Aconchego e a Cumplicidade.
domingo, 1 de março de 2009
Há centenas de anos o que é considerado arte vem alimentando, influenciando e espelhando as sociedades. Uma obra ao ser produzida, por mais bela que seja, nunca deixa de lado a angústia e a dor como elementos essenciais para sua concepção, demonstrando que o poético para ser gerado é muito mais prosaico do que imagina-se. Um filme que representa muito bem essas relações conturbadas não só de um artista, mas também de todos que o cercam com a arte é o inglês Moça Com Brinco de Pérola, de 2003. Ao primeiro contato, supõe-se que a película descreve apenas sobre a criação da famosa obra do pintor holandês Johannes Vermeer, no século XVII. Com o desenvolver da trama são desvelados os elos entre os personagens e a pintura.
Quando se fala em relação com a arte, uma das mais significativas, certamente, é a do autor. Mesmo que na recepção, muitas vezes, a intenção original se perca, é ele quem vai dar o tom da mensagem. Em cima desse pressuposto, o Vermeer, interpretado por Colin Firth deixa claro um certo enfado com sua própria vida. Utilizando-se da arte como forma de canalizar quase todas as suas energias, suas obras para serem concluídas passavam por um longo processo de tentativa e execução, a despeito de quem as encomendasse, já que os clientes esperavam por muito tempo para que vissem as obras em suas nobres residências. Como se não bastasse isso, o artista não só não dava preferência pela representação de seus mecenas, como apreciava, na verdade, retratar empregados em atitudes comuns. Tudo isso, seguido de um perfeccionismo científico, primando pelo melhor jogo de luz e sombra que pudesse alcançar, a fim de apurar os estudos sobre perspectiva em suas obras. Antes de agradar quem quer que fosse, os quadros do pintor tinham de agradar a ele próprio, como se dela, dependesse sua energia vital.
No filme, não é apenas o artista quem sobrevive das obras, mas também sua extensa família. A partir disso, a sogra de Vermeer, respeita a arte do genro que poderia ser qualquer outro ofício desde que trouxesse dividendos para casa. Por vezes, nota-se um certo desdém pelo processo metódico e demorado, na ânsia de poder comercializar logo as produções do autor. Em função do paradoxo entre a tamanha lentidão na elaboração de seus quadros e a velocidade em que aumentava sua família (teve quinze filhos na vida real), o artista morreu decadente e endividado.
Quando a arte ocupa tanto espaço na vida de alguém, muitas vezes, um casamento pode afundar e o cônjuge se sentir relegado a segundo plano. Assim, foi retratada a esposa de Vermeer no filme, que via as obras do pintor como se fossem concorrentes. A arte seria uma amante com quem não poderia disputar a atenção do marido. Pior ainda, ela também dependia da amante deste para sustentar os filhos e satisfazer os desejos materiais. Quando os objetos a serem retratados são outras mulheres, especialmente Griet (Scarlett Bola Da Vez Johansson), a moça do brinco de pérola, a situação fica quase insustentável. Se Catharina vivesse nos dias de hoje, seria recomendável que ela construísse seu próprio mundo com menos frivolidades e descobrisse sua própria arte, em favor de sua saúde e de seu casamento.
A sobrevivência através da arte propõe parcerias nem sempre agradáveis. Desta forma, o elo entre Vermeer e o colecionador satisfaz, na medida que as produções resultantes são esteticamente reconhecidas. No entanto, no que concerne a razão dessas encomendas, reina a necessidade de poder. Ao que parece, o mecenas tem uma relação muito mais erótica com seus quadros e objetos pintados do que propriamente um apreço pela arte.
Dentre as cinco personagens principais do filme, definitivamente as que tem relação mais imaculada com a arte são o pintor e aquela que dá nome ao filme. As obras de Vermeer repercutem em Griet, de maneira a representar uma das mais importantes funções que as obras de arte podem ter: a de mudar paradigmas, despertar para novos horizontes, provocar abertura de perspectiva. Assim, a empregada que, teoricamente,possui menos referência educacional e de convivência para a construção do gosto artístico, torna-se aquela com o olhar mais aguçado para as obras do pintor, revezando durante todo o filme entre discípula e musa de Vermeer.
domingo, 22 de fevereiro de 2009


Geralmente é assim... Eles andam pela rua aleatoriamente a busca de mais uma vítima. E vc, naquele momento mais Branca de Neve é pego de surpresa. Daí em diante, começa o que parece ser um interminável período de tortura. Calma! Não estou falando de assassinos, estupradores e ladrões. Mas eles sugam o seu tempo e sua energia como se fossem o pior dos maníacos. Estou falando dos prolixos. Aquelas criaturas que no afã de expressar todas as suas opiniões, pensamentos e persuasões ignoram completamente o que vc tem a falar e a fazer na vida, além de ouví-los.
Sempre me considerei uma ótima ouvinte, dando espaço suficiente para o interlocutor verbalizar todas as suas mazelas e erudições. Entretanto, percebo que tanto eu como outras pessoas solidárias com a fala alheia sofrem uma espécie de abuso. Notei isso depois de muitas vezes que tentei despachar esses seres pq estava realmente atrasada para outro compromisso ou já tinha chegado ao apice da abstração. Sim, pq depois de um tempo conversando com eles, nem o mais concentrado dos zen budistas consegue manter o foco. Quando enfim vc dá sinais de que precisa mesmo ir, parece que algo soa dentro dessas mentes diabólicas e então elas se determinam perversamente a manter a sua atenção por todo o tempo que conseguirem. Faça um teste. Quando encontrar uma dessas figuras pela frente cronometre o tempo que vc leva para se desfazer dela. Vai ser possível perceber que vc só vai se ver livre quando estiver a ponto de tomar uma atitude enérgica. Se lançar no meio da rua com os carros em alto tráfego, abraçar o estranho que passar na sua frente e dizer que tem que acompanhá-lo pq é seu amigo querido e não o via há muito tempo, empurrar o cidadão para dentro de uma porta e sair correndo ou até mesmo estar prestes a dar um safanão na cara daquele sujeito que não consegue perceber que uma conversa é algo equilibrado entre duas pessoas que sabem o momento de parar de falar.

