
Mr. Pepper
O ano era 1967, neste período em plena ebulição cultural no mundo, uma das bandas mais renomadas lança o disco que marcou história. Os Beatles, apesar da curta carreira – entre 1962 à 1970, conseguiram produzir material suficiente para estabelecer paradigmas na música e no comportamento até os dias de hoje. Dentre todas as revoluções estabelecidas pelo grupo, uma das imagens mais marcantes é a capa do disco Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band.
À primeira vista, a representação do álbum é uma profusão de imagens, sendo que as primeiras figuras onde os olhos param são John, Ringo, Paul e George fotografados em um cenário ao fundo feito de colagem composta por figurantes de luxo, ora em cores pintadas artesanalmente, ora em preto e branco. Dentre os mais de sessenta rostos que compõem este fundo estão figuras como Marlene Dietrich, Bob Dilan, Shirley Temple, Lewis Carroll, Albert Einstein, Bernard Shaw, Marylin Monroe, Marlon Brando, Karl Marx, Jung, as quatro esculturas de cera dos próprios Beatles, vindas do Museu Madame Tussaud, em Londres e muitos outros. É tanta gente que, na época, foram lançados vários concursos que achassem quem conseguiria identificar todos que estavam na capa. Passado esse impacto inicial da metade superior da fotografia. O observador pode então seguir para a parte inferior onde está o objeto que divide o primeiro foco com os Beatles militares; a película de tambor com a inscrição Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band, em ilustração que tende para o circense. Mais abaixo, o que indica onde se passa a fotografia, localizando a banda em uma espécie de parque com a inscrição do nome – Beatles – feita com flores, além de objetos perdidos no meio dos arbustos como outros instrumentos musicais, uma pequena televisão e figuras de pedra orientais. Para finalizar, se assim é possível, na lateral direita de quem vê, há uma palmeira com altura suficiente para se fundir com o céu azul.
Na descrição literal da foto, certamente ficaram de fora muitos elementos, já que na concepção completa, segundo Paul McCartney, “a intenção era que a capa fosse cheia de coisinhas, de maneira que alguém muito tempo depois pudesse dizer: ‘Puxa, não tinha visto isso...’”
George Martin¹ conta sobre a intenção em ter ao fundo uma platéia imaginária que estivesse no parque das flores, exatamente, para observar e ouvir a “Banda dos Coraçoes Solitários”. O interessante é que ao pedir a autorização para o uso de imagem de todas as personalidades, a grande maioria não hesitou em aceitar, mostrando como neste universo "Beatlemaniaco" não se sabe quem são os fãs e quem são os ídolos. A integração única de elementos pertencentes a diversas culturas provoca o desejo de expansão da mente, o que se torna evidente ao se ver em uma só foto personagens da cultura de massa como o “ Gordo e o Magro” e Marylin Monroe, coladas a imagens do que é considerado alta cultura como Edgar Allan Poe e Oscar Wilde. É possível ver também conexões entre a cultura ocidental como Shirley Temple e a oriental com gurus e esculturas, além de outras figuras que vinham a simbolizar a “Contracultura”, um dos movimentos mais latentes da época, como Aldous Huxley e William Burroughs, também estão representadas a psicanálise (Jung), o ocultismo (Aleister Crowley) e a sociologia (Karl Marx). Afinal, os Beatles e toda a concepção da capa estão na segunda metade dos anos 60, período em que os hippies e as revoluções estudantis tomavam as ruas. Os seres humanos tentavam esquecer as duas grandes guerras mundiais, mesmo que os EUA tivessem anseios bélicos suficientes para mandar seus jovens ao Vietnã. A necessidade de ruptura com o pré-estabelecido convergia com as experimentações psicodélicas representadas pela capa e olhares dos integrantes do Sgt. Pepper.
O simbolismo implícito na composição incide na liberdade intelectual que o conhecimento proporcionado por todas aquelas cabeças pensantes pode gerar. Entretanto, o propósito do produtor da imagem e a interpretação do receptor podem ir para caminhos totalmente diferentes. Foi o que aconteceu com a confusão gerada a partir da capa do disco. Para muitos o signo estava bem claro, um jardim florido, repleto de jacintos, palmas e azaléias como significante, gerava um funeral como significado. No caso, o morto seria Paul McCartney, tendo na imagem várias alusões a isso como um contrabaixo de canhoto feito com flores e as várias personalidades mortas. Outras pistas: a partir daquele ano os Beatles tinham decretado o fim das turnês, além da divisão que estava se instituindo no grupo. George estava cada vez mais voltado para a Índia e John estava para se voltar para Yoko.
Lendas simbólicas a parte, a conotação mais importante da capa do álbum que marcou história, certamente é a impressão de total abertura de perspectiva e vanguarda em uma fotografia que mais de 40 anos depois é lembrada como uma representação da revolução cultural que estava para surgir naquela era do Paz e Amor.
¹ MARTIN, George. Paz, amor e Sgt. Pepper. Os bastidores do disco mais importante dos Beatles. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995.
O ano era 1967, neste período em plena ebulição cultural no mundo, uma das bandas mais renomadas lança o disco que marcou história. Os Beatles, apesar da curta carreira – entre 1962 à 1970, conseguiram produzir material suficiente para estabelecer paradigmas na música e no comportamento até os dias de hoje. Dentre todas as revoluções estabelecidas pelo grupo, uma das imagens mais marcantes é a capa do disco Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band.
À primeira vista, a representação do álbum é uma profusão de imagens, sendo que as primeiras figuras onde os olhos param são John, Ringo, Paul e George fotografados em um cenário ao fundo feito de colagem composta por figurantes de luxo, ora em cores pintadas artesanalmente, ora em preto e branco. Dentre os mais de sessenta rostos que compõem este fundo estão figuras como Marlene Dietrich, Bob Dilan, Shirley Temple, Lewis Carroll, Albert Einstein, Bernard Shaw, Marylin Monroe, Marlon Brando, Karl Marx, Jung, as quatro esculturas de cera dos próprios Beatles, vindas do Museu Madame Tussaud, em Londres e muitos outros. É tanta gente que, na época, foram lançados vários concursos que achassem quem conseguiria identificar todos que estavam na capa. Passado esse impacto inicial da metade superior da fotografia. O observador pode então seguir para a parte inferior onde está o objeto que divide o primeiro foco com os Beatles militares; a película de tambor com a inscrição Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band, em ilustração que tende para o circense. Mais abaixo, o que indica onde se passa a fotografia, localizando a banda em uma espécie de parque com a inscrição do nome – Beatles – feita com flores, além de objetos perdidos no meio dos arbustos como outros instrumentos musicais, uma pequena televisão e figuras de pedra orientais. Para finalizar, se assim é possível, na lateral direita de quem vê, há uma palmeira com altura suficiente para se fundir com o céu azul.
Na descrição literal da foto, certamente ficaram de fora muitos elementos, já que na concepção completa, segundo Paul McCartney, “a intenção era que a capa fosse cheia de coisinhas, de maneira que alguém muito tempo depois pudesse dizer: ‘Puxa, não tinha visto isso...’”
George Martin¹ conta sobre a intenção em ter ao fundo uma platéia imaginária que estivesse no parque das flores, exatamente, para observar e ouvir a “Banda dos Coraçoes Solitários”. O interessante é que ao pedir a autorização para o uso de imagem de todas as personalidades, a grande maioria não hesitou em aceitar, mostrando como neste universo "Beatlemaniaco" não se sabe quem são os fãs e quem são os ídolos. A integração única de elementos pertencentes a diversas culturas provoca o desejo de expansão da mente, o que se torna evidente ao se ver em uma só foto personagens da cultura de massa como o “ Gordo e o Magro” e Marylin Monroe, coladas a imagens do que é considerado alta cultura como Edgar Allan Poe e Oscar Wilde. É possível ver também conexões entre a cultura ocidental como Shirley Temple e a oriental com gurus e esculturas, além de outras figuras que vinham a simbolizar a “Contracultura”, um dos movimentos mais latentes da época, como Aldous Huxley e William Burroughs, também estão representadas a psicanálise (Jung), o ocultismo (Aleister Crowley) e a sociologia (Karl Marx). Afinal, os Beatles e toda a concepção da capa estão na segunda metade dos anos 60, período em que os hippies e as revoluções estudantis tomavam as ruas. Os seres humanos tentavam esquecer as duas grandes guerras mundiais, mesmo que os EUA tivessem anseios bélicos suficientes para mandar seus jovens ao Vietnã. A necessidade de ruptura com o pré-estabelecido convergia com as experimentações psicodélicas representadas pela capa e olhares dos integrantes do Sgt. Pepper.
O simbolismo implícito na composição incide na liberdade intelectual que o conhecimento proporcionado por todas aquelas cabeças pensantes pode gerar. Entretanto, o propósito do produtor da imagem e a interpretação do receptor podem ir para caminhos totalmente diferentes. Foi o que aconteceu com a confusão gerada a partir da capa do disco. Para muitos o signo estava bem claro, um jardim florido, repleto de jacintos, palmas e azaléias como significante, gerava um funeral como significado. No caso, o morto seria Paul McCartney, tendo na imagem várias alusões a isso como um contrabaixo de canhoto feito com flores e as várias personalidades mortas. Outras pistas: a partir daquele ano os Beatles tinham decretado o fim das turnês, além da divisão que estava se instituindo no grupo. George estava cada vez mais voltado para a Índia e John estava para se voltar para Yoko.
Lendas simbólicas a parte, a conotação mais importante da capa do álbum que marcou história, certamente é a impressão de total abertura de perspectiva e vanguarda em uma fotografia que mais de 40 anos depois é lembrada como uma representação da revolução cultural que estava para surgir naquela era do Paz e Amor.
¹ MARTIN, George. Paz, amor e Sgt. Pepper. Os bastidores do disco mais importante dos Beatles. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995.

3 comentários:
Muito shoooooooooooooow.
me visite.
The Fab Lu talking about the fab four! Great!
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